Dinâmica agrária e desenvolvimento local: emergência e efeitos econômicos diretos e indiretos da agroindustrialização familiar de pequeno porte em Constantina - RS

Carregando...
Imagem de Miniatura

Autores

Henning, Cristiane De Conti

Título da Revista

ISSN da Revista

Título de Volume

Editor

Resumo

Este estudo analisa as condições de emergência da agroindustrialização familiar de pequeno porte e seus efeitos sobre o desenvolvimento local, no município de Constantina no Rio Grande do Sul. Especificamente, visa analisar a mudança da matriz produtiva e a agroindustrialização familiar no contexto da dinâmica agrária, caracterizar e analisar as cadeias produtivas familiares agroindustriais e avaliar os efeitos diretos e indiretos da agroindustrialização familiar de pequeno porte. Os procedimentos de pesquisa basearam-se nas Teorias dos Sistemas Agrários e no Método de Avaliação Econômica dos Efeitos. Os dados e as informações foram obtidos a partir do estudo da dinâmica agrária (2008) e através de entrevistas realizadas junto aos agricultores familiares agroindustriais do município e entidades locais de Constantina. A análise evidencia que a agroindustrialização familiar de pequeno porte começou a se desenvolver no final da década de 1980, num contexto em que um segmento importante dos agricultores familiares encontrava-se em crise, com sérias dificuldades de reproduzir a mão-de-obra familiar com os sistemas de produção pouco intensivo por unidade de área em relação às pequenas superfícies agrícolas útil, que praticavam. Preocupados com a reprodução social desses agricultores, instituições locais desenvolveram um programa de desenvolvimento local chamado de “mudança da matriz produtiva”, que permitiu o desenvolvimento de agroindústrias junto a um grupo de agricultores que já possuíam experiência com a transformação artesanal de alimentos. Os principais tipos de agroindústrias desenvolvidos atualmente pelos agricultores baseiam-se na produção de queijo, derivados de suíno, cachaça e açúcar mascavo, as quais têm alto potencial de gerar efeitos econômicos positivos, os quais foram medidos através do Valor Agregado (VA). Verificou-se que o VA gerado pelas agroindústrias familiares aumenta em mais de 35%, podendo chegar a um aumento de até 197%, comparativamente com a venda da produção primária. De outro lado, a agroindustrialização permite a geração de efeitos indiretos sobre a economia local, ou seja, gera um VA indireto que varia de 18 a 58% do total do VA direto. Desse modo, concluiu-se que a agroindustrialização familiar de pequeno porte, além de ampliar a capacidade de reprodução social dos agricultores com a geração de efeitos diretos, gera efeitos indiretos sobre o desenvolvimento local, e que, quando os agentes econômicos que compõem os segmentos da cadeia agroindustrial têm origem local e quanto mais diversificada e complexa for a cadeia produtiva, maiores serão os efeitos gerados.

Descrição

Citação

Avaliação

Revisão

Suplementado Por

Referenciado Por