O trabalho e a educação de jovens e adultos: compreensões a partir do (re)encontro de trabalhadores-estudantes com a escola em Panambi/RS
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2011-11-29
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Resumo
Tendo o itinerário da Educação de Jovens e Adultos – EJA – em Panambi/RS como lócus empírico da pesquisa, nos propomos a investigar “como jovens e adultos trabalhadores constituem-se sujeitos de saber e poder enquanto estudantes na EJA e como uma prática pedagógica se organiza e atua sobre esta subjetivação”. Apoiados na concepção foucaultiana, presença epistemológica recorrente em toda pesquisa, problematizamos as aprendizagens e as subjetivações de jovens e adultos, em sua constituição trabalhador-estudante. Para isso, buscamos (re)conhecer, descrevendo e analisando, o emaranhado relacional e contextual entre trabalho e educação de jovens e adultos no município, a partir das construções históricas com ênfase no presente panambiense, ora mais ora menos conflituosas, determinadas em meio a diferenças étnico-religiosas e socioculturais. No primeiro capítulo, subsidiamo-nos em Foucault ao identificarmos a (auto)imagem Cidade das Máquinas na análise da história e, ao fazê-la, trazemos algumas compreensões de Ricardo Antunes sobre as configurações do trabalho. Buscando interlocução entre os campos empírico e teórico, com o objetivo de identificar as relações de saber e poder, existentes no trabalho, no segundo capítulo, contamos com Cristophe Dejours e Yves Schwartz para entendermos as subjetividades em meio ao trabalho prescrito/real e, nas relações de poder que circulam neste espaço-tempo, o sofrimento e o uso de si. Problematizamos, no último capítulo, em postura epistemológica peculiar, de interface temática entre Paulo Freire e Michel Foucault, o encontro, o estabelecimento das relações e o reconhecimento dos conflitos, que exigem de jovens e adultos o enfrentamento de limites e possibilidades em sua forma-sujeito trabalhadores-estudantes. A pesquisa, ao ocupar-se de um contexto singular, no qual o mundo do trabalho tem exigido que a EJA cumpra uma demanda funcional, busca as significações que a participação no processo educativo escolar tem possibilitado a um grupo específico de educandos quanto a si mesmos como estudantes (e trabalhadores). Constata assim que as formas-sujeito trabalhador-estudante e estudante-trabalhador, objetivamente constituem-se condicionados pelas formas de produção do capitalismo a cada dia mais globalizado, e, subjetivamente, pela construção histórica que possibilitou a manutenção e difusão de um discurso que assim a permitiu ser, “voltada ao trabalho e ao progresso”. Singularmente, compreende-se que o reconhecer-se condicionado e não determinado, pode não ser a condição para a forma-sujeito trabalhador-estudante – dado ser esta delineada pelos processos excludentes aos quais são expostos, objetiva e subjetivamente, os indivíduos com pouca escolarização. Tensiona, contudo, a forma-sujeito estudante-trabalhador, na qual, uma vez sabendo-se capaz e vendo possibilidades, passa a não querer voltar a ser um sem lugar, passa a querer usufruir dos acessos que o trabalho, somado à renda e ao conhecimento que apreenderam – mesmo que sejam construções em jogos de verdade que, logo são atualizadas: os acessos, as possibilidades de uma “vida melhor” no presente panambiense como
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trabalhador-estudante e como estudante-trabalhador, possibilidades para uma “vida melhor” no futuro, como sujeitos autônomos e como sujeitos que cuidam de si e buscam ser mais.
Descrição
227 f.
Palavras-chave
Educação-trabalho, Relações de saber-poder, Subjetivação, Trabalhador-estudante, EJA