Capacidades estatais e desenvolvimento de cidades inteligentes centradas nas pessoas
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Resumo
Esta tese aborda o tema das capacidades estatais municipais para formulação e implementação de políticas públicas
de cidade inteligente. Muitas dinâmicas da sociedade ocorrem na cidade e elas já concentram a maior parte dos
habitantes do planeta, desta forma, espera-se que ela esteja a serviço dos cidadãos, colocando-os no centro das
suas escolhas, promovendo qualidade de vida e um desenvolvimento sustentável. Contudo, nem sempre as
administrações municipais conseguem implementar estas políticas públicas de desenvolvimento ou as fazem sob
uma lógica instrumental, sem aplicar princípios de cidadania deliberativa. Neste contexto, o presente estudo
focaliza nas capacidades do estado e nos princípios da democracia deliberativa para entender como se dão estas
dinâmicas em cidades médias. Busca-se identificar e analisar como fatores das dimensões técnico-administrativa
e político-relacional das capacidades estatais interferem na implementação de políticas públicas para
desenvolvimento de cidades inteligentes centradas nas pessoas. As capacidades estatais podem ser analisadas sob
duas dimensões, uma técnico-administrativa, que abrange aspectos relacionados ao funcionamento de burocracias
profissionalizadas e outra político-relacional, que trata da articulação dos múltiplos atores sociais, econômicos e
políticos nos processos de políticas públicas. Para fundamentar o significado de políticas públicas centradas nas
pessoas, apoia-se nos pressupostos teóricos de Jürgen Habermas, em especial na Teoria da Ação Comunicativa e
no conceito de Democracia Deliberativa. Para o conceito de cidade inteligente emprega-se o framework
estabelecido pela proposta de Política Nacional de Cidades Inteligentes, Projeto de Lei no 976/2021. Adota-se nesta
pesquisa os pressupostos da Hermenêutica de Profundidade, ela se constitui como um referencial metodológico
para a realização de investigações sociais com abordagem qualitativa e interpretativa. Os instrumentos empregados
no levantamento de dados foram a pesquisa bibliográfica, a pesquisa documental, o mapeamento do marco legal,
a entrevista semiestruturada e a observação participante. Foram analisados os municípios de Ijuí e Lajeado, cidades
de porte médio, situadas em duas regiões distintas do Rio Grande do Sul. Os resultados da pesquisa apontam para
a importância do plano de cidade inteligente, o qual deve ser construído e acompanhado por meio de processos de
cocriação com os cidadãos, com participação das universidades como catalisadoras de iniciativas alinhadas com a
realidade socioeconômica local e atuação conjunta dos conselhos municipais de inovação e de ecossistemas de
inovação estruturados. O ecossistema de inovação se apresentou como o principal ponto de convergência das três
temáticas estruturantes da pesquisa: capacidades estatais, democracia deliberativa e cidades inteligentes. Os
ecossistemas de inovação se mostraram como ambientes capazes de criar espaços de participação, onde
predominam processos de cocriação com emprego de racionalidade comunicativa. Eles costumam agregar atores
da quádrupla hélice, podendo se constituir como um arranjo institucional que promove o desenvolvimento das
capacidades estatais e da autonomia inserida da burocracia. Contudo, para abordar o tema da cidade inteligente,
contemplando toda sua população, é necessário avançar no aspecto da inclusão, para furar a bolha e incluir outros
atores implicados que estão menos relacionados ao âmbito do empreendedorismo.
Descrição
346 f.