Do desamparo do sujeito à crise ética na educação: notas psicanalíticas
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Data
2021-09-24
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Resumo
Ainda que existam regras morais e princípios éticos que orientem a conduta humana e a
sociedade contemporânea, eles não dão conta de fornecer uma resposta segura ao problema de
como o sujeito deve agir. Existe uma verdade provisória e minimamente estável que pode
direcionar e, consequentemente, amparar os adultos na educação dos sujeitos em formação,
não os largando à própria sorte. Tal incerteza é fruto de um desamparo constitutivo do sujeito
que, para continuar existindo, se vê acuado a criar pactos simbólicos com os semelhantes,
formando os laços sociais. Os efeitos desse desamparo fundamental é uma desorientação por
parte da família, da sociedade e da educação na acolhida das novas gerações. Diante disso, a
questão que norteia estes estudos é como educar, sobretudo sem uma verdade assegurada pela
tradição? Assim, o objetivo da presente pesquisa é compreender o lugar da educação na
formação de sujeitos marcados pelo desamparo e pela flexibilização da verdade.
Metodologicamente, estes estudos restringem-se à pesquisa bibliográfica, de natureza
qualitativa, e, teoricamente, apoia-se em autores do campo da psicanálise de matriz freudolacaniana
e da filosofia da educação. O primeiro capítulo reflete sobre a questão da verdade e
do seu inerente enfraquecimento, convocando o sujeito a escolher os seus destinos, sob os
reflexos do desamparo. O segundo capítulo discute as vertentes da crise ética e os conceitos
de ética e moral, considerando que a civilização está condenada ao desamparo, cabendo
àqueles que ficaram introduzirem o indivíduo humano no interior da cultura através da
linguagem. O terceiro capítulo problematiza o conceito de função paterna e fraterna e os seus
desdobramentos no campo educacional. Este percurso investigativo e reflexivo permitiu
compreender que a sujeição e a heteronomia são as condições elementares para educar, o que
implica dizer que os representantes da função paterna, os que chegaram antes, devem
apresentar o interdito e os pactos morais existentes para que o humano venha a ser sujeito.
Movimento que não permanece somente no interdito uma vez que a emergência do sujeito
também conta com o espaço para o exercício da autonomia, logo, para os pactos fraternos
horizontalizados.
Descrição
80 f.
Palavras-chave
Ciências Humanas., Desamparo., Educação., Sujeito., Ética.